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Colunas Educação 15 mar 2013

Como fabricar um João Teimoso

Este é o título de um livro que se refere à construção de um boneco que tem a base redonda e pesada e por isso só fica de pé, não para deitado.

Pois bem, pegando carona nessa ideia, quero falar sobre um tema que me intriga bastante, a teimosia. Por que certas crianças têm tanta necessidade de teimar? Em fazer valer os seus desejos custe o que custar?

Então eu penso na questão que nunca chegamos a uma conclusão, quem veio primeiro, o ovo ou a galinha? Da mesma forma então pergunto: a criança teimosa veio primeiro ou vieram primeiro os pais que a tornaram assim? A criança é por natureza teimosa, ou ela se torna teimosa pela forma inadequada de se lidar com ela? A criança é teimosa porque é ou porque a induziram a ser assim?

Fundamento esta questão através de constatações colhidas ao longo de muitos anos de experiência com crianças e também em referenciais pedagógicos, considerando a natureza da criança e suas características, de acordo a cada faixa etária.

É claro que certas crianças são mais difíceis de lidar do que outras, há que se considerar o temperamento de cada uma. Aquelas que têm temperamento mais calmo exigem menos, porém as de temperamento mais inquieto, exigem dos pais muito mais paciência e compreensão, assim como estratégias mais elaboradas. Em ambos os casos, pode-se desenvolver resistência em maior ou menor escala se não se utilizar os recursos necessários para evitá-la.

A criança que é confrontada todo momento através de admoestações, cobranças e críticas, vai desenvolvendo uma resistência contra estes comandos desprovidos de empatia, tornando-se um João teimoso igual ao boneco da história. Parece ter um peso que não a deixa nunca ficar a favor e sim sempre contra as determinações e/ou combinados dos pais.

Quando a criança mais precisa dos pais, nos momentos difíceis, é nessa hora que se faz necessária uma orientação segura, impregnada de afeto e muita sabedoria, para não gerar a tal resistência. Diante de uma ação inadequada faz-se necessário corrigir, porém é preciso saber corrigir, utilizando um método adequado de correção, apontando com calma, a solução para o problema.

São sábios os pais que aproveitam os momentos de crise dos filhos para se aproximar deles com empatia e assim compreender o que estão sentindo nesse momento para poder ajudá-los. Sendo assim, a criança não terá necessidade de enfrentá-los tornando-se os teimosos que tanto incomodam os pais, chegando mesmo a considerá-los adversários.

Para que a teimosia não ocupe lugar de destaque na educação dos filhos, quatro ingredientes são indispensáveis, necessários e fundamentais:  paciência , compreensão, empatia e afeto. Portanto use e abuse desses ingredientes que custam tão pouco e valem tanto.

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Os bebês devem usar chupeta? Qual a hora certa de tirá-la?

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Melanie

 

Há diferentes pontos de vista por parte dos pais com relação aos bebês usarem chupeta. Enquanto há pais que colocam a chupeta como parte integrante do enxoval do bebê, há outros que são contra o seu uso, considerando-a desnecessária, servindo apenas como um hábito difícil de tirar da criança mais tarde.

Vejamos alguns pontos que servirão para elucidar esta questão que chega a ser polêmica dentro da própria família, por causa de seus prós e contras.

Considerando que a sucção é um reflexo natural dos bebês, que ela é vital para o crescimento e desenvolvimento, principalmente em seu primeiro ano de vida e que promove a liberação de endorfina, um hormônio que produz um efeito de modulação da dor, do humor e da ansiedade, a chupeta é necessária. Há bebês que chupam o dedinho já dentro do útero materno, manifestando  assim a sua necessidade instintiva de sucção.

Quando o bebê é amamentado pela mãe, a amamentação é suficiente para satisfazer o desejo básico de sucção do bebê, desde que ele esteja mamando exclusivamente no peito e a mãe o ofereça sempre que o bebê quiser. Além do que, mamar no peito é muito importante para o desenvolvimento da mandíbula e dos músculos da mastigação.

Embora chupar a chupeta é diferente da sucção no peito materno, ela propicia a sucção que funciona como calmante em situação de cansaço e sono, pois a sucção provoca sensação de prazer e bem estar.

Há bebês que rejeitam definitivamente a chupeta e outros que a aceitam na primeira oferta.  Nesse caso não há como impor, é preciso respeitar a opção do bebê.

Estes são os aspectos positivos do uso da chupeta,  porém não podemos ignorar os danos que ela pode causar se o tempo de uso não for respeitado. Podemos considerar tolerável seu uso até dois anos, após essa idade eles serão inevitáveis se o uso for muito prolongado, podendo ocorrer:

-  alterações odontológicas;

-  atraso na linguagem oral;

- pode prejudicar a amamentação;

-  questões emocionais;

Porque dois anos é a idade limite?  Nessa fase  a criança já deverá ter  a dentição completa, ter posse da linguagem oral, estar fisiológica e emocionalmente madura para controlar os esfíncteres, ter capacidade de ter atitudes autônomas para se alimentar, fazer uso do sanitário, viver sem a chupeta e ser capaz de entender comunicados e combinados feitos com os  pais.

Com dois anos, o bebê passa a ser uma criança, portanto não deve ser mais tratado como bebê .

Como proceder de forma correta para que a criança se livre da chupeta?

Este é o maior problema dos pais, como mudar um hábito privando a criança de algo que até então trazia tantos benefícios. Trazia mas já não traz mais, esta é a primeira tomada de consciência.

Primeiramente é preciso fazer uso de uma metodologia  fazendo uso de atitudes pedagógicas tais que ajudem a criança a se libertar da chupeta sem grandes dificuldades. Ela deverá ser motivada a deixar a chupeta e nunca ser forçada ou enganada.  Promessas falsas e barganhas incongruentes devem ser evitadas. Uma boa conversa, informando-a de como vai ser esse novo momento, a ajudará a entender melhor a mudança. É importante motivar a criança para que ela concorde em deixar a chupeta, embora ela peça depois, a decisão deve ser dela e ser mantida com apoio. Uma vez retirada a chupeta não se volta atrás, nada de peninha, de arrependimento e incertezas. Não deixe nenhuma chupeta guardada, se não, ao primeiro choro da criança ela a terá de volta, é difícil resistir a tentação de satisfazer o seu desejo e assim cessar o choro que tanto convence os pais.

A  postura firme e decidida dos pais, ajuda a criança a superar a dificuldade de ficar sem a chupeta. Três dias são suficientes para que ela  se liberte do hábito e não sinta falta da “valiosa” chupeta e viva feliz e contente sem ela para sempre.

Alerto para a típica proposta que se faz à criança em período de natal, pedindo que ela dê a chupeta ao papai noel. Esta não é uma boa ideia, ele pode se tornar um vilão ao invés do bom velhinho que simboliza bondade, carinho e magia. Sentimentos confusos podem surgir e ela ficar  emocionalmente prejudicada.

Vou relatar um fato que ocorreu com uma criança há bem pouco tempo, sua mãe lhe propôs que desse sua chupeta ao papai noel, e em troca ela poderia pedir o que quisesse . Ela concordou e deu a sua chupeta e logo após fez seu pedido ao papai noel. Sabe o que ela pediu?  Uma chupeta nova!

É muito importante tratar desse assunto com naturalidade, honestidade e muito respeito aos sentimentos da criança. Substitua a pena por respeito que sempre dará certo.

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Na semana que vem falaremos mais sobre a chupeta, do ponto de visto odontológico. Aguardem!





Qual a melhor hora para a chegada do segundo filho?

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imagem: Pinterest

 

Esta foi a pergunta que me fez uma jovem mãe, ao pensar em engravidar pela segunda vez, já tendo uma filha com mais de dois anos.

Não existe uma hora certa ou a melhor hora para a chegada de um segundo filho. O que existe é saber tomar essa decisão sem grandes preocupações ou dúvidas, levando em consideração alguns pontos que veremos a seguir.

Primeiramente é preciso que o casal esteja de acordo, para que juntos possam planejar e analisar todos os aspectos dessa decisão. É muito bom planejar a chegada de um filho, porque traz segurança e estabilidade emocional para toda a família.

É importante saber o que significa e exige de ambos, educar, sustentar e cuidar de duas crianças com pouca diferença de idade, se esse for o caso, e se prepararem para assumir essa importante tarefa. Sendo assim não haverá motivos para ter medo ou inseguranças.

Se a sua criança é educada com autonomia, usando métodos adequados para estabelecer disciplina e limites, e se a legítima autoridade é exercida por ambos, com regras claras, então não será difícil receber uma nova criança para educar e cuidar ao mesmo tempo.

Outro aspecto importante é saber preparar sua criança para receber um irmãozinho, de tal maneira que ela se sinta no seu verdadeiro lugar, sem a sensação de estar perdendo-o para o novo bebê que vai chegar.

Respeite sua criança, ela precisa se sentir segura, recebendo o afeto, a atenção, o carinho e a compreensão que necessita, assim não terá motivos para sentir ciúmes do bebê que está sendo esperado e muito mais depois que ele nascer. É preciso respeitar os sentimentos que se apoderam dela nesse momento, pois é natural que ela se sinta emocionalmente mais sensível a essa mudança. O ciúme é um sentimento inevitável nesse momento, mas pode-se amenizá-lo através do reconhecimento e aceitação desse sentimento.

Vale lembrar que a criança se sente amada e compreendida quando os pais a tratam com carinho, atenção e acima de tudo com justiça. Ela precisa de limites, porém com severa doçura, para que ela se sinta segura e assim não precise chamar a atenção dos pais para ela. É preciso saber lidar com esse novo momento que vive a família, de forma natural e sem estresse.

Muitas vezes embasados em suposições e conjecturas provenientes de palpites e histórias que normalmente são contadas por todos aqueles que, embora bem intencionados, acabam dando palpites que ao invés de ajudar, atrapalham.

Se tiver dúvidas, busque ajuda de profissionais competentes, ou em bons livros que orientam levando em conta natureza da criança e as características que são peculiares em cada fase de seu desenvolvimento. E apresente também estratégias e recursos pedagógicos, para melhor lidar com esse delicado momento que vive a criança.

Informem sempre sua criança, sobre o que está acontecendo sempre, pois sua percepção é essencialmente sensorial, portanto sente o que está acontecendo à sua volta, antes mesmo que lhe digam.

Usem recursos pedagógicos simples, ou seja, envolvendo a criança nas escolhas do enxoval, deixando-a participar de toda mudança que precisa ser feita no espaço físico ou qualquer outra decisão que precisa ser tomada.

Evitem tirar da criança algo que ela ainda usa para dar ao bebê que vai chegar e não faça promessas que só serão cumpridas depois do nascimento, para que não gere ansiedade.

Ao falarem com outras pessoas sobre o bebê que vai chegar, não ignorem sua criança se ela estiver por perto, fiquem atentos para deixá-la participar também da conversa.

Esperem para fazer mudanças no ambiente, quando a criança já tiver assimilado bem a nova situação, se possível, após alguns meses de gestação.

Nesse período não é recomendável fazer procedimentos como: retirada da chupeta, das fraldas e outras hábitos que a criança possa ter. Afinal, não são somente os pais que estão esperando um bebê, mas também um serzinho curioso e ansioso que mal sabe o que é ter um irmãozinho.

Tudo o que fazemos com consciência e com o coração, certamente trará bom resultado.

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Educação 14 dez 2012

A importância da música na educação das crianças

A música é um dos principais meios de comunicação existentes na sociedade. Através dela é possível transmitir não só palavras mas sentimentos e ideias que podem ganhar grandes proporções didáticas, quando bem direcionadas.

“Primeiramente, devemos educar a alma através da música e a seguir o corpo através da ginástica” disse Platão.

Segundo ele, a ginástica é dança e luta. A luta para conquistar saúde e vigor e a dança para alcançar a nobreza e liberdade. A ginástica com a função de desenvolver a valentia e não a robustez do atleta, e a música para ajudar a não se praticar nada de mal, além de contribuir para desenvolver ritmo e harmonia.

Assim sendo, a finalidade da educação musical é “infundir no educando um espírito de ordem e desenvolver o verdadeiro amor à beleza.” Uma sociedade em declínio é uma sociedade que abandonou a educação musical como parte integrante do processo educativo.

De acordo a Platão, a música é feita de sons, que se manifestam em movimentos ordenados. O bem específico da música é a capacidade de introduzir ordem e beleza de forma perfeita nas ações e na vida. Ele define a música como arte educadora por excelência que, penetrando na alma por meio dos sons, inspira o gosto pelas virtudes. Por esta razão, na verdadeira educação está presente a música. Ela não pode transmitir outra coisa se não as virtudes. Na música estão contidos três elementos: as palavras, a harmonia e o ritmo. Daí a importância da boa e verdadeira música. A música penetra diretamente em nossos centros nervosos e ordena de maneira rápida e imediata a divisão do tempo e do espaço.

“A música, tem o poder de acalmar e disciplinar uma criança, portanto facilita a aprendizagem, seja ela formal ou no âmbito familiar. Ela é um dos estímulos mais potentes para os circuitos do cérebro, além de ajudar no raciocínio lógico matemático, contribui para a compreensão da linguagem e para o desenvolvimento da comunicação. Atua nos dois hemisférios do cérebro. O direito que é criativo e intuitivo e o esquerdo que é lógico e sequencial” afirma Paulo Roberto Suzuki – Musicoterapeuta.

Pesquisas realizadas com o intuito de provar a ação da música nas células cerebrais, mostram que após meses de aula de piano e canto, uma criança manifestou melhores resultados na reprodução de desenhos geométricos, na percepção espacial e no jogo de quebra cabeças.

O processo de ensino que se baseia em uma vivência musical direta e imediata, com manipulação e experimentação sonora, em prática musical coletiva e em vivência corporal, estão em consonância com a psicopedagogia de Vigótski.

“Não dá para falar de música, sem falar de Mozart, o grande gênio da música”, diz Délia Steinberg Guzman. Ele é um clássico por excelência, somente nele as formas tomam vida e expressão, é o mais fantástico conhecedor de regras, imaginação e sensibilidade. Seu estilo universal é atemporal.”

A filósofa Maria Angeles Fernández, inspirada em Apolo, deus da música nos diz: “nada, é mais agradável aos ouvidos dos deuses, que estes maravilhosos sons vindos das cordas, extraídos do vento, paridos dos ventres inchados de tambores e atabaques. O mundo se criou com música, o homem tão pequeno, tão limitado frente a soberba grandeza de seu contexto, aprendeu em seguida que os sons eram sua comunicação com Deus.”

Sabemos da importância de estabelecer regras para o reconhecimento dos limites na educação da criança, e quem nos ensina isso é a própria natureza, que nos mostra a todo instante a presença do ritmo, da harmonia e do som. É certo que, a música nos traz elementos para estabelecer a harmonia, porque é a própria harmonia.

Nenhuma criança permanece quieta enquanto canta, bate palmas, bate os pés e dança, ou seja, os instrumentos naturais do próprio corpo, em sua qualidade de gestos rítmicos primordiais, complementam a expressão melódica do canto. Considerando que o movimento para a criança é tão necessário quanto o repouso e a alimentação, mais um motivo para considerar a música como elemento primordial em sua educação.

Ao trazer estes elementos para enriquecer e também elucidar a nossa reflexão, meu objetivo não é outro se não colocar a música no seu lugar de excelência na educação da criança e também chamar a atenção de pais e educadores para fazer uso de uma linguagem musical na comunicação ao educar, pois é a linguagem da alma, portanto, a linguagem adequada para sintonizar com a alma de uma criança.

Crianças pertencem a um mundo puro, inocente e mágico, onde a música está presente, portanto, não deve ser excluída do seu cotidiano, pois sua natureza anímica, pede isso.

Considerando o que abordamos anteriormente, as palavras, o ritmo e a harmonia são elementos componentes da música e não por acaso são também elementos que compõem o universo infantil.

A música é a linguagem da alma e como tal ela poderá nos ajudar a resgatar os verdadeiros valores tão ausentes no mundo de hoje, carente dos reais valores humanos. Humanizar a educação é o maior desafio que encontramos hoje nas escolas e nas famílias. Humanizar a educação, é fazer valer estas três grandes virtudes: a bondade, a beleza e a justiça.

Quero com esta reflexão fazer um chamado a todos aqueles que de alguma forma educam crianças ou mesmo só têm contato permanente com elas, que façam uso desse grande recurso ao educar: a música. Ajudando-as a preservar esta virtude que já é de sua natureza: a sensibilidade.

Muitas vezes os pais bem intencionados, buscam oferecer aos filhos a melhor educação, colocando-os em aulas especiais diversas, além de uma escola de educação infantil, com o intuito de ajudá-los em sua formação. E no entanto, na maioria das vezes não valorizam e por isso mesmo não estimulam a educação musical, na educação dos filhos, por desconhecer o seu real valor. Posso afirmar que a educação musical é completa, educa todos os aspectos do ser humano.

Em uma educação onde se estimula mais o lado esquerdo do cérebro, ou seja, o racional, a sensibilidade cede lugar ao endurecimento nas relações, gerando pessoas mais distantes e frias, ou seja, com pouca ou nenhuma sensibilidade. E a música é antídoto mais eficaz que podemos lançar mão contra este mal.

Uma ação pedagógica eficaz é cantar, ouvir boas músicas, ouvir músicas clássicas, ouvir sons da natureza junto com os filhos.

Para cantar com a criança, não é necessário possuir técnicas vocais, e sim deixar a voz sair do coração e passar pela garganta carregada de emoção, e assim conduzí-la, nesse mundo mágico em que ela vive. Cante com ela e os laços afetivos certamente serão fortalecidos, facilitando assim o seu processo educativo.

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