Minhas reflexões sobre ter um segundo filho
Eu recebo uma quantidade grande de e-mails todos os dias. Dúvidas, sugestões de posts, pedidos de dicas e outros tantos somente para dizer o quanto gostam do blog (obrigada gente <3). Gosto muito dessa interação com vocês que leem e gostam do que eu escrevo. Respondo todos os comentários (principalmente os de dúvidas e perguntas) e e-mails, e considero que sou rápida até. Quem já me escreveu sabe :) (algumas pessoas me respondiam admiradas “nossa, como você me respondeu rápido! nem achei que você iria responder!”. Imagina gente, ter um blog é isso mesmo: interação.
Entre os e-mails dos últimos dias, um me chamou a atenção em especial, porque era um assunto que eu quis falar por aqui, nos últimos tempos. Mas era aquele texto que nunca saía dos rascunhos.
Toda vez que leio seu blog, tenho uma curiosidade e por isso decidi escrever… “Você pretende ter outo filho???”
Quando eu li, confesso que abri um sorriso meio maroto, do tipo de quem está aprontando, sabe? E os olhos, ah os olhos quiseram lacrimejar. Mas foram interrompidos pela razão.
Pensando nisso agora, aqui sentada no sossego do meu lar – provisório – tomando um chá de limão gelado e escrevendo pra vocês, eu diria que sim.
Ocorre que nem sempre, quando penso no assunto, a resposta é sim. Eu sou a pessoa mais questionadora que conheço. Minha cabeça é cheia de “será”.
É exatamente como diz no livro/filme da Liz Gilbert, o Comer Rezar Amar:
Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa ter certeza antes de se comprometer.
Eu sou (típica capricorniana) muito pé no chão, perfeccionista, sempre quero fazer as coisas da melhor forma possível. Penso muito antes de tomar qualquer decisão. Das pequenas às grandes. Antes de dar um passo, quero sempre estar com a fundação do passo anterior totalmente solidificada.
Na gravidez da Mel, confesso que deixei esse meu lado ansioso/perfeccionista para trás e embarquei no otimismo e alegria contagiante do meu marido leonino. Não pensei muito não. Pelo menos não nesse lado emocional. Talvez por esse motivo tanta coisa tenha me pego de surpresa, tanta coisa me frustrou. Eu estava totalmente preparada para o lado prático da maternidade, mas não para o lado emocional. Porque nada pode nos preparar para isso, afinal.
Ao optar por ser mãe eu deixei alguns sonhos e desejos para trás. Alguns foram esquecidos, outros substituídos por novos sonhos e outros apenas adiados. As viagens, a dança, o curso de fotografia, a faculdade de design. Uma segunda gravidez significaria adiar (ou renunciar) novamente a esses sonhos e vontades. Será que estou preparada pra isso?
Sei que existem muitas mães que dão conta dos filhos, trabalho, marido, casa, estudam e ainda fazem aquele curso de cerâmica no final de semana. Eu admiro vocês. Muito mesmo. Mas eu não dou conta não. Já fui multi tarefa. Hoje não sou mais.
Agora, eu já sei de algumas coisas, sei dos meus acertos e dos meus erros (tantos). E aí gente, aí a coisa pega. Será que eu quero “errar” de novo? (porque a gente sempre erra, mesmo que não sejam os mesmos erros)
A questão da idade também ronda a minha cabeça. Estou eu no alto dos meus 31 anos. Não sou mais uma menininha. Não me vejo sendo mãe aos 38, por exemplo. Não porque tenho preconceito, longe disso. Mas porque vejo que minha energia e disposição não são mais as mesmas da casa dos 20 anos. Nem o meu corpo. Imagina com o passar de mais alguns anos?
A Melanie daqui há pouco terá 3, 4, 5 anos. Fase considerada por muitos pais e mães como sendo “a melhor” das crianças, em que elas são amorosas, curiosas e companheiras. Poderíamos fazer aquelas tantas viagens que aguardam a Melanie estar maiorzinha. Aí eu penso: Será que eu quero começar tudo de novo?
Ah, tem a parte dos palpites claro, principalmente da família, do que seria o ideal. Os que eu mais ouço:
“Não espere muito pra ter outro não! Tá passando perregue com um, passa com dois. Depois fica tudo sossegado e eles crescem juntos!” (ah sim, claro, pimenta no dos outros é refresco)
“Tem que esperar mais, pelo menos até a Mel estar com uns 4 anos. Assim ela já será menos dependente” (duvido!)
“Ih…. se vocês esperarem muito vão ficar com preguiça de começar de novo e não terão mais filhos” (mãe Dinah que prevê o futuro)
“Ah, quem tem um tem dois!” (essa é clássica e… verdadeira?)
Agora, pensando na minha filha única e atual, de 2 anos e 3 meses.
O pequeno lado ruim (para mim)
Drama na hora de comer: sim, muitos, infinitos. Dá pra dizer que foi o meu maior e único “sofrimento” materno. Um porre.
Birras, manhas, pitis e afins: alguns mais intensos e outros menos, normais dos terrible tows. Mas claro, tiram a gente do sério e dá vontade de pedir socorro.
Noites de sono ininterruptas: Cadê? Por aqui, nós perdemos.
Liberdade de ir e vir, cadê? Fazer as coisas na hora que tenho vontade e não “quando dá”: Você se torna mãe, perde o direito de ser egoísta e pensar só em você automaticamente (em você leia-se você e seu marido, namorado, companheiro, etc). Nunca mais será só você. Essa foi uma das coisas que senti mais falta no começo dessa vida de mãe, confesso. Agora já me habituei, claro.
O grande lado bom (para mim)
A Mel é linda. E quando digo linda, não é só da beleza exterior que eu falo. Ela é uma criança muito, muito querida, carinhosa, sabe o que quer, é destemida, saudável, esperta, alegre, super ativa e o principal: é uma criança muito feliz.
Quando vejo tudo isso eu penso: Opa, devo (devemos) ter feito algo certo então!
Tenho certeza que ela foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Sem sombra de dúvidas. Por ela conheci aquele amor, o maior do mundo.
Eu também mudei. Sou uma pessoa mais humana, mais compreensiva (na medida do possível né, porque quem me conhece sabe, eu sou pavio curto) e mais sensível (se é que dá pra ser mais). A maternidade trás, junto ao caos do começo (de sempre!), um amor, uma serenidade, uma calma e uma força que não existiam antes.
Quem nunca pensou ou se sentiu meio super heroína, com aquela coragem de leão? Tipo, “eu sou mãe p*****!” (enfrento qualquer coisa).
Eu poderia escrever um longo texto só falando do quanto é doce ter um filho. Falando de como a gente se derrete só de olhar pra eles. Mas tudo isso a gente já tá careca de saber, né? Eles deixam a gente de quatro, como dizem. Fato.
Na real, ter um filho não dá pra definir em uma frase ou com um texto. É uma experiência avassaladora e acredito que a maior que um ser humano possa viver.
Sempre que alguma amiga me diz que está pensando em ter um filho e me pergunta o que eu acho (risos), eu digo que ter um filho é f***. Isso quer dizer: céu e inferno, doce e amargo, alto e baixo. É assim que eu vejo a maternidade: uma montanha russa.
Claro que haverá aquelas mães que dirão que não é assim não, que a maternidade é susse, tudo lindo, tudo azul, tudo na paz. Que bebês são lindos, fofinhos, que ser mãe é tudo, e mais um monte de coisas lindas e rosas. E claro, crianças são diferentes. Umas mais tranquilas, outras menos.
A maternidade é sim maravilhosa. Mas não é SÓ maravilhosa não. Isso é utopia, comercial de margarina. Ter filhos, educar filhos, formar cidadãos, é punk minha gente.
Depois de todas essas minhas divagações, voltemos ao assunto central do post de hoje.
Se dependesse somente do meu marido, nós já teríamos mais um filho. Desde que a Mel tinha 6 meses ele me pede mais um, mais dois… (socorro). Mas eu sempre respondia que ainda não. Sabe por que? Porque não me sentia preparada. E sigo assim. Um dia me sinto pronta, no outro não. E provavelmente nunca vou estar. De verdade.
Analisando hoje, a Melanie preenche tudo e mais um pouco na nossa vida. Fico pensando se terei esse mesmo amor que tenho por ela, desse tamanho, pra dividir com outro filho. (pelo menos dizem que a gente sempre tem).
Fico pensando no que nos faz decidir ou ter vontade de ter um filho. Legado, família, amor, vida, instinto? Talvez tudo isso junto.
Outra questão importante no nosso caso é a construção da casa nova. (espero que meu marido leia essa parte e se sinta sensibilizado e pare de aumentar/alterar o projeto).
Juro pra vocês que sinto como se estivéssemos construindo desde 1968. Como esse treco demora! Começamos em setembro de 2010. Já são 2 anos de obra. E olha, cansa viu. E os gastos enlouquecem a gente. As previsões sempre mudam, se estendem. A “última” é de que em março talvez poderemos nos mudar. Construção demora por dois motivos: precisa de gente que trabalhe bem e de dinheiro. Assim que uma das duas coisas diminui, a obra pára.
Por isso eu nem penso em engravidar antes que a casa fique pronta. Já passei muito nervoso na gravidez da Mel por causa disso e sei bem como é. Nós temos um lugar pra morar, claro, mas a expectativa com a casa nova é muito grande. Principalmente pelo espaço (pra gente e pra Mel), pela falta de organização por aqui e outros tantos motivos.
Então o que a gente acertou: quando a casa ficar pronta, nós conversamos sobre ter mais um filho. E assim vamos vivendo. As paredes de tijolos sendo erguidas lá na casa e os alicerces de amor e de coragem sendo construídos aqui, nesse coração.
Ainda tenho muitas coisas para trabalhar e desenvolver em mim mesma, como ser humano, antes de ser mãe novamente. Uma delas, é a paciência. Palavra chave pra tudo – ou quase tudo – nessa vida.
“Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa… a vida é tão rara.”


















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